O Bitcoin chega ao mundo dos atletas profissionais. Com ele, os golpes e pirâmides financeiras.

Este texto não visa falar da absurda valorização das criptomoedas ou se uma bolha está prestes a estourar no universo das moedas digitais.

O que importa mesmo é que, na história dos mercados financeiros, muitos ativos financeiros foram alvos de pessoas que enxergaram uma oportunidade de enriquecer rapidamente às custas da ingenuidade de iniciantes e leigos. Casos como a pirâmide Madoff e os escândalos dos “bonds” nos Estados Unidos ficaram famosos pela velocidade com que cresceram e, mais ainda, pela forma como desabaram.

No Brasil, todos se lembram do Boi Gordo – investimento famoso na década de 90 que prometia retorno de 20% ao mês – que deixou seus investidores à deriva anos depois.

Recentemente, tivemos acesso à informações passadas por alguns atletas sobre empresas que vêm assediando colegas de profissão com a promessa de duplicar o capital investido em 90 dias.

Sabem o que isso significa? Rendimentos da ordem de 1,4% ao dia! Uma delas até registra em seu site a promessa citada, o que é terminantemente proibido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que regula o mercado de ativos mobiliários no Brasil.

Obviamente, os primeiros escolhidos são as pessoas de alta renda e é onde o perfil dos atletas profissionais se encaixa. O golpe funciona assim: o cliente é visitado por um representante da empresa que oferece a abertura de uma conta em uma plataforma da empresa na Internet para operar Bitcoins.

É comum o uso do discurso que a empresa opera em vários países além do Brasil e que negocia milhões (e até bilhões) de dólares em moedas digitais. Detalhe: algumas empresas nem CNPJ têm; muito menos sede no Brasil.

Normalmente, quando o leigo recusa a oferta,  um recurso utilizado pelos golpistas é “oferecer” uma conta com saldo em dólares para o eleito da vez “testar” o investimento. Para isso, basta que o investidor deposite um valor em dólares na conta nos dois meses seguintes.

Pronto, golpe ativado! Recentemente, a Polícia Federal prendeu representantes de uma dessas empresas que negociava cerca de R$ 400 milhões de reais em Bitcoins.

Porém, a pergunta mais importante é a seguinte: por que as pessoas continuam a colocar seu dinheiro em ativos ainda não testados e tão especulativos mesmo sabendo dos riscos existentes? Na verdade, a atração pelo alto ganho com pequeno esforço desafia a nossa lógica fazendo com que desloquemos nossa atenção para o campo das hipóteses e do “achismo”. O ser humano é assim, nós somos assim.

O campo das finanças comportamentais explica como reagimos sentimentalmente ao uso do dinheiro no dia a dia. No caso do Bitcoin, um dos principais motivos das cotações da criptomoeda subirem vertiginosamente é que milhões de pessoas em todo o mundo passam, diariamente, a negociá-lo para “não perder a oportunidade” e ficar fora da festa.

Uma diversão que pode sair muito cara e causar decepções, dilapidar patrimônios e destruir relacionamentos