Por que a MLS não para de crescer?

A MLS (Major League Soccer) se aproxima do fim de sua 22a temporada com muitas razões para comemorar. A presença média de público, até a semana 29, era de 24.045 pessoas por jogo, muito superior à média de público na Série A do Campeonato Brasileiro. As franquias atingiram seu maior valor de mercado: 170 milhões de dólares, de acordo com o site Soccer Stadium Digest.

 A liga atualmente possui 22 times e, de acordo com o seu plano de expansão, chegará a 30 até 2020. David Beckham e seus sócios parecem ter superado as restrições para a construção do estádio da franquia de Miami, que logo deve ser anunciado, após anos de atraso. Em 2018, o Los Angeles F.C. de Magic Johnson, do ator Will Ferrel, da ex-jogadora Mia Ham e outros sócios, estreará criando a rivalidade local com o multicampeão Los Angeles Galaxy, que faz péssima temporada em 2017.  As últimas seis vagas vêm sendo ferrenhamente disputadas pelas cidades de Tampa, Nashville, Cincinnati, Detroit, Sacramento e Phoenix.

Nos anos 70, a estratégia de contratar estrelas mundiais como Pelé foi essencial para tentar promover o futebol nos Estados Unidos. Atraídos por grandes somas financeiras, o Rei do Futebol, Cruyff e outros atletas foram os pioneiros da era profissional do esporte no país.  Porém, apenas em 1994, ao sediar a Copa do Mundo, o futebol atraiu grande atração dos americanos pela primeira vez. Este ano, o recorde de público do campeonato foi batido pelo estreante Atlanta United, que colocou 70.425 torcedores em seu moderníssimo e recém-inaugurado estádio, o Mercedes-Benz Stadium.

Com a criação da liga em 1996, muitas regras de contratação de jogadores foram criadas para propiciar seu crescimento sustentável e garantir a estabilidade financeira nos anos seguintes. Um dos preceitos mais importantes é o do Designated Player (Jogador Designado), que permite a cada clube contratar até dois jogadores fora da soma do “salary cap”. A norma do jogador designado é a que admite a contratação de estrelas como Beckham, Giovinco, Pirlo, David Villa, Gerrard e Kaká para elevar o nível técnico do torneio e atrair mais atenção da mídia, patrocinadores e torcedores. O “salary cap” é o limite máximo dos salários do elenco de cada clube e, de acordo com o acordo coletivo selado entre a MLS e a união de jogadores, não pode ultrapassar 3,85 milhões de dólares por temporada. Esta versão do acordo é válida até 31 de janeiro de 2020.

Essas regras que a liga tem adotado para promover um desenvolvimento gradual e impedir a explosão dos salários ainda fazem com que os times busquem jovens jogadores africanos e latino americanos, que são mais baratos que os jogadores brasileiros e europeus. Ao mesmo tempo, a MLS já é reconhecida como a competição mais democrática e a que mais incentiva a diversidade racial dentre todas as ligas norte-americanas, superando a NBA, de acordo com estudos da Universidade Central da Flórida (UCF).

A MLS já exporta jogadores americanos para os principais times do mundo. Ano passado, o atleta Matt Miazga transferiu-se para o Chelsea e Bobby Wood foi contratado pelo Hamburgo. O campeonato ainda carece de melhor nível técnico, contudo o interesse dos adolescentes americanos pelo futebol é enorme e as receitas não param de aumentar.

 

 

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