Seja previdente com seu plano de Previdência!

No início da década passada, o mercado financeiro e segurador trabalhavam com seguinte premissa: você se aposentará aos 60 anos; no máximo 65 anos de idade.

Partia-se do princípio que o contratante de um plano de previdência estaria se aposentando também pelo INSS nesta mesma faixa etária e o plano de previdência privada contratado complementaria esta renda. Vale lembrar que – pelas regras do INSS vigentes – o contribuinte se aposenta por tempo de serviço (35 anos para o homem e 30 para a mulher) ou por idade (65 anos para o homem e 60 para a mulher).

Vivia-se, no início dos anos 2000, um ambiente econômico desfavorável mas as altas taxas de juros contribuíam para fazer com que poupar em um plano de previdência privada fosse algo relativamente simples. A lógica era simples: bastava fazer as contribuições mensais e esperar o tempo passar.

Ninguém contava, no entanto, que esta década apresentasse tantas transformações econômicas e sociais: a economia do Brasil melhorou significativamente assim como a renda. Os produtos financeiros passaram a ser mais acessíveis e a desconfiança quanto aos benefícios do INSS se multiplicou. Mas a principal transformação, sem dúvida, foi o aumento da expectativa de vida. E, se você tem um plano de previdência privada fechado ou aberto, não deixe de ler este artigo até o final.

Muitas pessoas não sabem mas, os planos de previdência por estarem estruturados em fundos de investimento não oferecem garantia de rentabilidade e aí está, atualmente, o grande problema. Durante a contratação destes planos, lá no início dos anos 2000, foram usadas premissas que se alteraram ao longo dos anos. Quer um exemplo?

Ana contratou seu PGBL no ano de 2000, aos 35 anos, quando obter uma rentabilidade líquida de 10% ao ano era totalmente possível (em janeiro de 2000. A taxa de juros vigente era próxima a 19% ao ano). Com isso, para formar uma reserva de R$ 500.000,00 em 25 anos de contribuição precisaria contribuir com apenas R$ 386,73.

Os anos foram passando e veio a crise de 2008. A partir de 2009, principalmente, as taxas básicas de juros da economia brasileira começaram a cair em função da solidez dos fundamentos da economia brasileira e a necessidade de evitar que a crise mundial tivesse menos impacto no país.

Com isso, aqueles 10% ao ano de rentabilidade líquida passaram a não ser tão certos como antes. Vem 2012 e o Brasil tem a menor taxa de juros da história: 7,25% ao ano que – descontados das taxas de administração do plano – diminuem muito a rentabilidade líquida de Ana.

Passados 13 anos, Ana ainda tem 12 para cumprir seus anos 25 de contribuição. Ela já não consegue 10% ao ano de rentabilidade líquida e tudo indica que continuará não conseguindo até 2025. Enfim, não atingirá os sonhados R$ 500.000,00 (em valores da época).

Constatação: Ana terá que aumentar suas contribuições mensais sob pena de não manter sua renda necessária daqui há 12 anos.

O caso de Ana ilustra a situação de milhares de participantes de Planos de Previdência que contrataram seus planos em épocas de juros altos e certa comodidade de ganhos na renda fixa. Isso não existe mais.

Se o caso de Ana se aplica à você, procure refazer suas contas imediatamente. O recente aumento da taxa SELIC, esta semana, para 8,5% ao ano não alterará a necessidade de alinhar suas contribuições a um novo cenário de baixos ganhos.

Não deixe passar este momento para que não seja tarde demais. E aos que estão contratando algum plano de Previdência Privada ou contrataram, recentemente, fica o conselho de serem conservadores em suas projeções.

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