Planeje sua viagem e aproveite até o último minuto!

Este ano me propus a realizar um sonho – ir aos Jogos Olímpicos em Londres – e colocar em prática o que falo sempre aos meus clientes sobre reservas de curto prazo em nosso planejamento financeiro: viajar ao exterior em minhas férias e retornar ao Brasil sem nenhuma despesa da viagem para pagar. Se possível, voltar com sobras e recompor as reservas para emergências.

É sabido que as reservas de curto prazo devem ser utilizadas para situações emergenciais e eventuais como desemprego, problemas de saúde, necessidade de ajudar alguém da família, prejuízos inesperados, etc..

Porém, sempre defendo a tese de que essas reservas, se bem planejadas e em montante bem ajustado às necessidades – podem muito bem custear uma viagem de estudo ao exterior, férias com a família e a realização de algum projeto. Por que, não?

Ora, se estamos falando de planejamento, qualquer situação colocada pode ser quantificada e prevista com grande margem de acerto. Basta cruzar a capacidade de acumulação de receitas com a velocidade da realização de despesas. Analisar o nível de liquidez e as reservas de longo prazo existentes. Avaliar todos os riscos. Enfim, um bom fluxo de caixa projetado.

Minha vontade de fazer este exercício se deu ao fato de muitos de nós em alguma vez na vida já ter passado pela seguinte situação: último dia de férias que foram ótimas; sentados na areia olhamos para o mar e começamos a pensar no nosso retorno, a rotina, o trabalho e … inevitavelmente… nas contas para pagar. A cerveja já não desce tão redonda, o picolé derrete rápido e o sol quente já começa a incomodar só de pensar nas passagens aéreas parceladas em 10 vezes no cartão, nos 50% do 13o salário utilizados na viagem. O mal humor começa a tomar conta e começamos a querer voltar rápido para eliminar o problema (alguns ficam mais 10 dias para fugir dele..rsrsrs). Com isso, deixamos de aproveitar momentos raros de descanso.

Trabalhamos muito durante um ano ou até mais para desfrutarmos momentos tão valiosos. Por isso, as férias devem e merecem ser bem planejadas. Para que possamos visitar os locais que sonhamos, para nos reaproximarmos de amigos e parentes que estão longe, para esvaziarmos a mente e retomarmos nosso potencial criativo.

Ao final de quinze dias inesquecíveis no exterior, consegui realizar meu objetivo principal e ainda retornei com uma boa quantia que será muito útil no mês seguinte. Por isso, gostaria de compartilhar algumas boas teorias e práticas que me ajudaram muito. Logicamente, o orçamento de uma viagem varia de acordo com o que se pode gastar, com a filosofia do passeio e o nível de conforto que se quer ter (que nem sempre depende do lado financeiro):

– Não deixe de constar em seu orçamento as despesas antes da viagem: roupas, malas, vistos, equipamentos, etc.

– Se for passar por várias cidades ou países planeje bem os deslocamentos para evitar perdas de tempo que podem acarretar em custos desnecessários. Estude bem a localização dos aeroportos, hotéis e estações de trem e ônibus.

– Muitas empresas de ônibus e trens cobram passagens mais baratas se compradas antecipadamente pela Internet.

– Na Europa, principalmente, ficar hospedado próximo a uma estação de trem, metrô ou ônibus é fundamental. Seguro, confortável e econômico.

– Compre sua passagem aérea com antecedência. Mesmo que você parcele no cartão, à época da viagem ela já estará quitada. Faça o mesmo em relação à hospedagem. Isso evitará que você assuma outros compromissos desnecessários até a data da viagem. Além disso, os preços serão melhores.

– Um bom motivo para prever sobras no orçamento: aproveite as ofertas das Cias. Aéreas no Check-In ou mesmo durante o vôo (paga-se com cartão de crédito dentro o próprio avião). É possível um upgrade para Classe Econômica Confort ou até mesmo Business Class por tarifas bem atraentes. Converse com o comissário de bordo (em minha viagem me aproveitei bastante disso e tive o privilégio de fazer o upgrade na ida e na volta por valores muito interessantes).

–  Geralmente, os custos de viagem se dividem assim:

20% a 25% – Passagens Aéreas

30% a 35% – Hospedagem

20% a 25% – Alimentação e Passeios

15% a 20% – Compras (pode variar muito! rs…rs…rs)

5% a 10% – Desp. Burocráticas e Prep. Viagem (Passaporte, Vistos, Despachantes, Seg. Viagem, etc)

– Nas viagens, procuro investir mais em “momentos e experiências” do que em “coisas”. Muitas vezes, “momentos e experiências” custam menos e duram muito mais. Assistir a um concerto num teatro mundialmente conhecido, aquele salto de bungee jump da ponte mais alta dos EUA ou assistir a um jogo do Barcelona não são programas baratos mas estarão na memória para sempre.

– Não condeno os investidores em “coisas” pois não há como abrir mão dos outlets por esse mundo aí afora. Principalmente, pela nossa injusta carga tributária que leva para fora do Brasil o dinheiro que eu e você poderíamos gastar aqui, além de incentivar a melhoria da qualidade de nossa indústria. Não se esqueça porém, das regras alfandegárias da Receita Federal.

– A melhor combinação para seus recursos para o que for gastar na viagem: 60% em cartão prepago de viagem; 25% cartão de crédito; 15% espécie.

– O cartão prepago pode ser bloqueado em caso de perda ou roubo; paga-se o IOF de 0,38% apenas na carga do cartão; se sobrar saldo no fim da viagem pode-se gastar o restante em reais no Brasil ou fazer o câmbio no mesmo local onde você adquiriu o cartão.

– No cartão de crédito, as compras em meda estrangeira serão taxadas pelo IOF em 6%. Lembre-se que os valores serão convertidos pela taxa de câmbio na data do fechamento da fatura e não pela data da compra.

– Se seu vôo tiver conexão em algum aeroporto internacional aproveite para trocar seu dinheiro em espécie comprando alguma coisa ou fazendo alguma refeição. Chegar ao destino com dinheiro trocado é mais um motivo de tranquilidade se precisar pegar um ônibus ou táxi.

– Para quem não acredita em qualquer espécie de seguro vale um relato. Viajando ao exterior não subestime a contratação do seguro viagem. É relativamente barato pelo benefício que pode proporcionar em caso de necessidade. Em meu primeiro dia no exterior, tive uma queda que me custaram um atendimento médico, muitas dores e a suspeita de duas costelas fraturadas. Já pensaram quanto custaria uma internação?

– Se sua viagem for ao exterior, compre moeda estrangeira todo mês. Desta forma, você estará menos sujeito(a) às oscilações do câmbio e lhe forçará a fazer uma poupança mensal. Se a viagem for dentro do país, poupe mensalmente em reais. Vale a pena até abrir uma caderneta de poupança só para este objetivo.

Pode ser que você não consiga pagar 100% da sua viagem antecipadamente. Mas se você conseguir quitar 70% a 80% já seria uma grande vitória não seria?  Ao voltar da sua viagem você já poderá destinar parte da sua capacidade de poupança para a sua próxima aventura. Se planejar a viagem é uma das etapas que a gente mais gosta acabo de lhe dar um excelente motivo para tentar, não é?

Para terminar, lembre-se: viajar é um investimento em você e sua família por isso deve ser levado a sério e ser muito bem planejado. Viajando você aprende coisas novas, vê seu povo e seu país de perspectivas diferentes, aprende a respeitar e a se comportar em outras culturas e exercita aquela língua estrangeira na qual você já investiu um boa grana e anda meio enferrujada.

Boa viagem e aproveite até o último minuto!

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