Aprenda economia nas Festas Juninas

O mês de junho foi embora e com ele as festas juninas tão esperadas por todos. Além de preservar nossas tradições, as barraquinhas podem nos ensinar muito sobre o funcionamento da economia do nosso país.

Há 15 dias fui à festa junina da escola da minha filha. Além de ser um grande divertimento para a família, a escola pôde oferecer uma oportunidade interessante de Educação Financeira para os pais e filhos. Querem saber como?

Vamos começar pelos personagens:

ESCOLA: Fez o papel do Banco Central. Ao planejar a festa, a escola teve que imaginar quais e quantas barraquinhas haveriam na festa, qual a quantidade de fichas para serem usadas na aquisição de comidas/diversões. Além disso, teve que estimar o público que compareceria ao evento e a média de consumo (R$) por pessoa. Outra tarefa interessante: definir as fichas com valores de R$ 1,00 e R$ 0,50 facilitando a vida dos participantes da festa. Teve que estimar também qual o montante de fichas a ser impresso.

FAMÍLIAS: É o público participante da festa e também os consumidores.

FICHAS: cartões com valores de R$ 1,00 (verdes) e R$ 0,50 (laranja). É o dinheiro em circulação na festa.

BARRACAS: Fizeram o papel do comércio, vendendo seus produtos/serviços e recebendo sua remuneração por isso.

BILHETERIAS: Eram os bancos comerciais propriamente ditos. Reservava os recursos (fichas) e trocava por dinheiro.

FESTA: É o evento e representa o mercado onde as transações foram feitas.

 E assim a festa começou..

 Para consumir, os pais iam até a bilheteria e compravam as fichas. Ao se dirigirem às barracas trocavam os quitutes pelas fichas adquiridas na bilheterias.

Dentro de cada barraca havia uma caixa (semelhante à uma caixa de sapato) toda envolvida em papel e com um sulco na tampa como se fosse um cofre para armazenar as fichas recebidas.

E assim a festa seguia e o ciclo financeiro “bilheteria-barracas-bilheteria” também. Com o passar da festa, o entretemimento começava enfrentar um risco importante: se as fichas recebidas nas barraquinhas não retornassem às bilheterias poderia haver falta de fichas e o mercado ficaria sem liquidez. Esse é um dos maiores desafios de um governo: qual a quantidade exata de moeda deve circular no país? 

Bem, se é difícil para o Banco Central saber imagine então para a Escola. Saindo um pouco da festa e voltando-nos um pouco para a Economia: o governo regula diariamente a quantidade de moeda em circulação. Essa conciliação é feita todas as noites quando o Banco Central já foi informado por cada banco qual o saldo do dia de cada instiuição (diferença entre saldos e depósitos). Essa regulação é muito importante pois, se sobra moeda em circulação as pessoas tendem a comprar mais e os preços tendem a subir: é a INFLAÇÃO! Se acontece o contrário, as pessoas têm menos dinheiro para gastar e os preços acabam caindo pois a oferta passa a superar a demanda. Isto também não é bom: RECESSÃO, diminuem os empregos e o país não cresce.

Voltando à festa, reparei que as filas aumentaram demais nas bilheterias e logo constatei o que acontecia: a Escola (Banco Central) não estava recolhendo as caixas das barraquinhas explodindo em fichas. Dessa forma, as fichas ficavam armazenadas e não voltava às Bilheterias (Bancos). Resumindo, o mercado estava sem liquidez: poucas fichas em circulação (poucas filas nas barracas) e muitas filas nas bilheterias (bancos).

Logo, a Escola passou a esvaziar as caixas e encaminhou as fichas para as Bilheterias. Desta forma, houve uma mudança no fluxo do evento: as filas nas Bilheterias diminuíram e as filas nas barraquinhas automaticamente aumentaram. Assim acontece na nossa Economia diariamente e o governo deve estar atento. O sistema tem que estar sempre em equilíbrio.

Muito ainda poderia ser escrito, mas o ponto alto da festa foi a chance que as crianças tiveram de manipular aquelas fichinhas verdes e laranjas. Os olhinhos brilhavam pensando como gastar aquela pequena fortuna nas mãos e se divertindo muito com a novidade. Nossos olhos de adultos também costumam brilhar com notas de verdade nas mãos e isso nos leva a muitas outras histórias ( e problemas…). Vamos, hoje, ficar com a alegria das crianças.

Viva São João e as tradições juninas!!!

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